Para Sapir (1929: 8), “a linguagem é um método puramente
humano e não instintivo de se comunicarem ideias, emoções e desejos por meio de
símbolos voluntariamente produzidos”. Lyons (1981) objeta essa definição,
defendendo que ela é imprecisa, uma vez que não está clara o que vem a ser
ideia e muito do que é comunicado na língua não pode ser definido nem como
emoção nem como desejo.
No entanto, é inegável a propriedade da linguagem humana de
expressar as emoções e os desejos. No caso, da discussão que estamos
desenvolvendo, o fato de estarmos conscientes de que a linguagem serve a esses
propósitos faz toda diferença, pois se acreditamos que a linguagem determina o
pensamento, conforme a hipótese Sapir-Whorf de que a linguagem determina o
pensamento. Considerando que a linguagem determina o pensamento, vamos concluir
que nossas emoções e desejos também são determinados pela linguagem. A lógica
desse raciocínio nos permite dizer, então, que nossas emoções e desejos também
estão sob controle.
Para Sapir (1947)
“nós estamos em todo o nosso pensamento e para sempre, “a
mercê da língua determinada que se tornou o meio de expressão para a
sociedade”, por que só podemos “ver e ouvir e experimentar de outras formas” em
termos das categorias e distinções codificadas na linguagem; as categorias e
distinções codificadas em um sistema são exclusivos àquele sistema e
incompatíveis aos de outros sistemas (p.162).
Utilizando essa noção de que a linguagem determina o
pensamento, concebe a linguagem como território de conflito pelo poder, visto
que dominar a linguagem significa dominar o pensamento; impor uma determinada
linguagem significa impor um determinado pensamento; utilizar-se de uma
determinada linguagem é o mesmo que utilizar esse pensamento.
